Educação

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Terça, 19 de dezembro de 2006, 12h00  Atualizada às 21h31

Colégios se preparam para período de transição

Moreno Cruz Osório
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A partir do ano que vem muitas crianças começarão a vida escolar no Ensino Fundamental de nove anos, enquanto outras ainda estudarão no sistema antigo, com oito. As mudanças variam bastante em cada estabelecimento de ensino. Em geral, e principalmente para as escolas particulares, a mudança maior será no currículo, que deverá atender as novas exigências de acompanhamento e avaliação do Ministério da Educação.

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É o caso do colégio La Salle São João, em Porto Alegre, onde o Ensino Fundamental de nove anos será oferecido já a partir de 2007. Segundo Ana Poppe, coordenadora pedagógica dos anos iniciais, todas as séries do Ensino Fundamental terão uma readequação curricular em função da inclusão de mais um ano. "Toda a estrutura de conteúdos que tínhamos no primeiro ano do currículo antigo será readequada a partir da 2ª série, e assim por diante. A escola vai focar aspectos da linguagem e da matemática, neste primeiro ano", afirma.

A situação é um pouco diferente no Anchieta, um dos maiores colégios particulares de capital gaúcha. Lá, o processo de alfabetização já funciona nos moldes do proposto pelo Ministério da Educação, e as crianças entram na 1ª série com 6 anos. "Já alfabetizamos de uma forma lúdica. Desde o início as crianças aprendem a fazer uma leitura própria do mundo", diz a coordenadora pedagógica de 1ª a 4ª série, Dóris Brochtrentini.

Segundo ela, a modificação maior será na 4ª para a 5ª série, que a partir da nova proposta, também será considerada integrante dos anos iniciais. "Estamos pensando trocar uma classe unidocente por um currículo dividido por áreas, onde cada professor seria responsável por um aspecto do aprendizado", disse Dóris. No Anchieta, o Ensino Fundamental de nove anos será oferecido a partir de 2008.

O colégio Rio Branco, em São Paulo, está em uma situação semelhante. Também já trabalhando com uma proposta pedagógica parecida com a do MEC, a escola pretende apenas intensificar o aperfeiçoamento do currículo. "Todo o trabalho que a gente desenvolve tem um caráter social focado no protagonismo do aluno, as características de cada criança", ressalta Katia Rascio, supervisora de Educação Infantil do estabelecimento de ensino. Segundo ela, o trabalho maior de adaptação será de ordem administrativa, pois a opção da escola foi transformar uma série da pré-escola no primeiro.

Transição
Muitas escolas devem adotar um período de transição entre o sistema de oito e de nove anos. No Rio Branco, os alunos que ingressaram na 1ª série em 2006 cumprirão o tempo determinado pelo Ensino Fundamental de oito anos. Processo semelhante acontece no La Salle São João. "Para os alunos que estão cursando o último ano da Educação Infantil hoje, vamos garantir o Ensino Fundamental de oito anos até o final", afirma Ana Poppe.

Édima Morais, supervisora da Escola Estadual Anne Frank, de Porto Alegre, acredita que não haverá dificuldades na implantação do Ensino Fundamental no colégio. Segundo ela, as escolas que trabalham com Educação Infantil encontram melhores condições na transição do sistema antigo para o novo, tranqüilizando pais e professores. "Nossa comunidade sabe que o Anne Frank vai continuar atendendo o Ensino Fundamental de oito anos. Ao mesmo tempo, os alunos que estão chegando vão encontrar o novo sistema com um ano a mais", afirma Édima.

Situação nos Estados
Assim como o ensino particular, a situação varia muito nos colégios públicos. Em alguns Estados, a introdução de crianças com 6 anos no Ensino Fundamental já é uma realidade. Em outros, é um processo em estágio de implantação.

Nas escolas de Minas Gerais, por exemplo, as crianças entram na 1ª série com 6 anos desde 2004. Segundo a secretária estadual de Educação, Vanessa Guimarões Pinto, a mudança foi aprovada, tanto na aceitação dos professores quanto em relação ao desempenho dos alunos. "Neste ano, submetemos todos os estudantes da rede pública a um teste para verificar o grau de desenvolvimento. Obtemos um resultado muito positivo: 82,5% das crianças estão lendo", disse Vanessa.

As escolas mineiras funcionam com um ciclo de três anos. Com um tempo maior para a aprendizagem, as crianças vão progredindo de maneira diferente. Mas, segundo Vanessa, isso não significa ausência de metas. "Se a criança não vai bem, não a reprovamos, porque aí ela terá de começar tudo de novo. O que fazemos é um acompanhamento especial para que ela alcance o desenvolvimento esperado. Isso está sendo feito com os 17,5% de alunos com desempenho abaixo do esperado na avaliação. Ao final de três anos, todas devem ter aprendido a ler."

No Rio Grande do Sul, o sistema de ciclos já é uma realidade nas escolas municipais, mas na rede estadual, as mudanças no currículo do Ensino Fundamental ainda estão em discussão. Segundo a secretária de Educação do Estado, Nelsi Muller, desde o ano passado os professores estão recebendo orientações pedagógicas para se adaptar à proposta de estender o processo de alfabetização por dois anos.

Redação Terra