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Quinta, 4 de janeiro de 2007, 10h50 Escolas abrem nas férias para alimentar alunos |
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Escolas com os portões abertos e cheias de crianças, durante todo o período de férias escolares. Uma cena difícil de imaginar, mas que está virando realidade em 16 escolas municipais de ensino fundamental em Serra, município da região metropolitana de Vitória, Espírito Santo. Elas fazem parte do Programa Especial de Alimentação Escolar nas Férias, uma iniciativa da prefeitura para garantir alimentação adequada para mais de 3,5 mil crianças carentes.
O Secreário Municipal de Educação, Gelson Junquilho, explica que o objetivo é diminuir a carência nutricional de crianças e jovens das comunidades mais carentes do município. A iniciativa também faz parte de uma rede de proteção social que visa a afastar crianças e adolescentes da criminalidade. "Com essa refeição, as crianças acabam passando o dia perto da escola, brincando e se divertindo. Isso as mantêm afastadas de traficantes e criminosos", afirma o secretário.
Durante o período de férias escolares, serão servidas mais de setenta mil refeições, nas seguintes unidades: EEF Profª. Amélia Loureiro Barroso e EEF Leonel Brizola, em Jacaraípe; EEF Manoel Carlos de Miranda (José de Anchieta), EEF Prof. Darcy Ribeiro e EEF Leonor Miguel Feu Rosa, em Nova Almeida; EEF São Marcos (São Marcos), EEF Cascata (Cascata), EEF Aldary Nunes (Serra-sede), EEF Irmã Dulce (Parque Residencial Tubarão), EEF Ismênio de Almeida Vidigal (Planalto Serrano), EEF Antônio Vieira de Rezende (Central Carapina), EEF João Paulo II (Bairro Boa Vista), EEF Divinópolis (Divinópolis), EEF Padre Gabriel (Jardim Carapina), EEF Herbert de Souza (Colina da Serra) e o CEI Meninos com Jesus (São Marcos II). As refeições serão servidas das 11h às 12h.
Cardápio
O cardápio, desenvolvido por nutricionistas, busca suprir as
necessidades energéticas das crianças. De acordo com a nutricionista
Patrícia Paiva, as refeições foram planejadas e reforçadas para fornecer
boa parte das calorias e proteínas necessárias ao desenvolvimento das
crianças. Entretanto, reconhece que o ideal seria garantir pelo menos
três refeições diárias. "Não é possível suprir, em uma única refeição,
todas as necessidades das crianças. Mas temos tentado garantir ao menos
uma boa refeição, equilibrada e rica em nutrientes", explica.
A diretora da escola municipal Padre Gabriel, localizada no bairro Jardim Carapina, Paula Alves, diz que não se importa com o trabalho extra durante o período de férias escolares. Ela lembra que a decisão de abrir a escola para o programa de alimentação especial foi uma decisão da comunidade. "O Conselho Escolar avaliou que seria bom para a comunidade aderir ao programa e foi ótimo. Basta olhar para essa garotada e ver que eles adoram estar aqui. É gratificante", afirma a diretora.
Quem também acha o trabalho extra gratificante é a cozinheira da escola, Maria das Graças Gonçalves. A "tia" Maria das Graças, como é chamada pelos alunos, fica orgulhosa em dizer que capricha no tempero: "eu ponho muito amor nesses pratos". E a criançada aprova mesmo o tempero de Maria das Graças.
O estudante da 3ª série Jhonatas Santos Moreira, que mora em Jardim Carapina, disse que a macarronada servida nesta quarta-feira estava deliciosa. "Eu vou até repetir", contou o menino.
Para muitas crianças e adolescentes, a merenda servida na escola pode ser a única refeição do dia. O estudante Marcos Gabriel Host Puhl, 9 anos, contou que nesta quarta-feira não havia almoço em casa. "Minha mãe não fez comida hoje". Questionado sobre o que faria se não pudesse comer na escola, ela foi claro: "ficaria com fome".
Há também quem busque na escola apenas a oportunidade de ser criança, podendo brincas nas férias, livre de responsabilidades. A aluna da 3ª série Kesia dos Santos Moreira, 9 anos, explica que precisa ficar em casa todos os dias para fazer comida para a mãe. Mas desta vez a mãe saiu e ela foi comer na escola. "Assim, não preciso cozinhar e tenho mais tempo para brincar".
Conversar com as crianças durante o almoço noz faz entender que, para milhares de jovens capixabas, ter a certeza de uma boa refeição por dia ainda é algo novo. A maioria não teria almoço em casa e não quer perder a oportunidade. Mas há também quem venha, simplesmente porque a comida estava mais gostosa. Pelo menos em Jardim Carapina, os temperos da cozinheira Maria das Graças fazem sucesso. Quem afirma é o estudante Tales Santos Costa, 8 anos. Ele explicou porque preferiu almoçar na escola: "a comida da minha irmã é muito ruim".