Educação

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Domingo, 25 de março de 2007, 12h01  Atualizada às 15h44

Crianças têm aulas em casas de taipa em Sergipe

Cícero Mendes
Direto de Aquidabã
Cícero Mendes/Especial para Terra

Na sala improvisada, as paredes têm rachaduras, boa parte da madeira do telhado está podre
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Os alunos do povoado Derradeiro Campo, em Aquidabã, a 116 km de Aracaju (SE), estudam há cinco anos em uma casa de taipa - habitação comum no Nordeste feita à base de barro e pedaços de madeira. No local improvisado, as paredes têm rachaduras, boa parte da madeira do telhado está podre, fios elétricos ficam expostos e quadros são sustentados por carteiras.

Não há quadra nem espaços disponíveis para o lazer. No espaço improvisado como uma cozinha, que fica junto a uma sala de aula, é possível ver um fogão à lenha, que este ano não foi utilizado para preparar a merenda escolar que ainda não chegou à escola, mesmo as aulas tendo sido iniciadas no dia 5 de março.

Também não há geladeira: a água é servida em um filtro de barro e há um único banheiro que é utilizado pelas crianças e professores.

Segundo a diretora Edivânia de Aragão Cunha, na Escola Municipal Quintino Alves Dória estudam crianças da educação infantil e da 1ª a 4ª série do ensino fundamental.

Mas esta não é a única casa de taipa que serve como colégio em Aquidabã. No povoado Arranhento, o que mais parece um bar é utilizado como anexo da Escola Municipal Jackson de Figueiredo. No único vão da casa funcionam duas turmas diferentes ao mesmo tempo, sem nenhuma divisória entre elas. "Realmente fica difícil dar aula assim, mas as professoras dão um jeito", afirma o administrador do local, Crezo Vieira da Cruz.

Alguns dias, as aulas são suspensas por problemas na estrutura do prédio. Quando funciona, a casa de taipa recebe cerca de 60 crianças entre 4 e 10 anos. Elas assistem às aulas sem nenhum conforto em carteiras velhas e algumas sem encosto.

À noite, o anexo ainda recebe 28 alunos do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). É difícil imaginar como é possível dar aula sem a luz do sol e com o único ponto de luz existente no vão da casa de taipa. Outro problema é a condição do telhado.

"Quando chove tem muita goteira mesmo", reconhece Crezo. Assim como na escola do povoado Derradeiro Campo, lá a merenda ainda não havia chegado. De 2004 a 2006, Aquidabã recebeu R$ 6,8 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef).

Problema é antigo, afirma sindicato
Segundo o delegado do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintese), em Aquidabã, José Vanderlei Santos Silva, a situação das escolas do município já foi denunciada várias vezes, mas nenhuma providência foi tomada. "A prefeitura se prontifica a resolver só que não faz nada e o problema cresce como se fosse uma bola de neve", afirma.

No começo do mês, o sindicato enviou um ofício à promotora de Justiça Adriana Ribeiro Oliveira solicitando dela uma audiência pública para tratar das questões relativas à educação do município. Até agora o Sintese continua aguardando uma resposta do Ministério Público.

Prefeitura diz que pais aprovam as escolas
A secretária municipal de Educação, Lícia Cristina, explicou que as casas de taipa são anexos de duas escolas municipais que ficam em povoados vizinhos, mas que os próprios pais preferem que a prefeitura alugue um imóvel para que os filhos estudem mais perto de onde moram.

"A do povoado Arranhento, a escola fica no Tapuiu, mas para não atravessar a pista, os pais pediram ao prefeito que alugasse uma casa lá, e essa era a única disponível. São apenas 22 crianças que estudam nessa casa. A prefeitura já adquiriu um terreno e deve construir um anexo com duas salas", informa.

O mesmo acontece, de acordo com ela, na do povoado Derradeiro Campo, onde a escola fica a pouco mais de dois quilômetros. "Inclusive passa um ônibus escolar que faz todo esse percurso, mas os pais não querem, preferem que seus filhos estudem próximo de casa", justifica Lícia Cristina.

Ela reconheceu o atraso na distribuição da merenda por causa de problemas na licitação, mas confirmou que essa semana a questão será resolvida.

Redação Terra