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Domingo, 31 de agosto de 2008, 03h44  Atualizada às 07h31

Faculdades: mulheres ocupam 57% das vagas no Rio

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"Elas vão dominar o mundo!", brinca o futuro advogado Oliver Resende Pereira, 24 anos. A frase pode parecer exagerada, mas um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP) e do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) aponta que pelo menos no Rio elas estão no topo quando o assunto é Educação. As mulheres já são presença predominante nas faculdades da cidade: 57% dos estudantes são mulheres. Elas não são maioria só entre os que se matriculam, mas também entre os que concluem o 3º grau. Foram 25 mil formandas em 2006 contra 17 mil formandos.

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E mais: de 2001 a 2006, período em que se baseou o levantamento, a participação feminina no Ensino Superior cresceu 40%, contra 30% dos homens. Basta uma visita a qualquer campus para perceber o exército feminino nas salas de aula, bibliotecas e áreas comuns.

A diferença é gritante nas faculdades particulares. Dos quase 10 mil estudantes da Universidade Castelo Branco, 65% são mulheres. Na Veiga de Almeida, o placar é 60% a 40% para o time feminino. Na turma de Oliver, que está no 10º período de Direito na Veiga, são 15 alunas contra 7 alunos. "Quando entrei, a turma era mais equilibrada. Ao longo dos anos, a presença feminina foi ficando maciça", diz. Até na maior universidade do Rio, a UFRJ, elas dominam o cenário: no último vestibular foram admitidas 3.485 alunas, 244 a mais do que os colegas do sexo oposto.

Essa "revolução feminina", segundo especialistas, deve-se a uma mudança no mundo do trabalho. "As mulheres foram para o mercado e há uma demanda maior por qualificação. No Rio, com as opções de emprego, a pressão é maior. Elas estão correndo atrás. As oportunidades não são para homens, mas para o profissional especializado, sem depender do gênero", explica Adalberto Cardoso, diretor do Iuperj.

Para a estudante de Direito Camila Fonteles, 23 anos, chegou a hora da vingança: "Hoje a mulher não fica mais em casa. Ela quer um outro espaço e está mostrando que é capaz de conquistá-lo".

O estudo foi feito a partir dos números da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad), do IBGE, e mostra que a expansão do nível de Ensino Superior no Rio foi de 35,4% contra 27,4% no Brasil. Enquanto 18% dos estudantes cariocas cursam a universidade, somente 9% dos alunos brasileiros fazem faculdade. Na guerra dos sexos, as mulheres saem facilmente vitoriosas - entre 2001 e 2006, a participação delas no Ensino Superior aumentou 69%, contra apenas 31,8% deles.

Muitas dessas alunas são mulheres que, após anos longe dos bancos escolares para cuidar dos filhos e da casa, resolveram retomar os estudos e suas carreiras. "Quando minha filha fez 9 anos, voltei a trabalhar na empresa da família. Depois, senti necessidade de ter um projeto pessoal e resolvi voltar a estudar. Faço tripla jornada e isso me faz feliz. É o somatório do profissional com a minha vida estudantil e familiar que me realiza. Depois que voltei para a faculdade, me senti mais completa. Não me arrependo das minhas escolhas e todas elas me dão prazer", garante Márcia Cerqueira Lobo, 43, que começou a fazer Engenharia em 1982, mas abandonou o curso dois anos depois, quando casou. Hoje, está no 6º período de Direito.

Morador do Rio: 8,8 anos de estudo
No período analisado pelo estudo, o nível de escolaridade do carioca aumentou timidamente, mas ainda assim é maior do que o nível geral do Brasil. Em 2001, o morador do Rio tinha 8,1 anos de estudo. Em 2006, pulou para 8,8, contra apenas 6,7 anos que o brasileiro passa na escola. Apenas 6% da população brasileira tem 3º grau completo. Já 15,6% dos cariocas concluíram a faculdade.

O aumento do número pessoas com Nível Superior tem causas claras. A expansão do Ensino Médio formou mais candidatos a uma vaga nas universidades e a facilidade de pagamento, com programas públicos como o ProUni e descontos e financiamentos em faculdades privadas, aumentou o ingresso de uma parcela da população que, até então, estava excluída desse nível de ensino. "A melhoria das condições de vida das classes C e D fez com que mais gente pudesse realizar o sonho de fazer uma faculdade", explica Paulo Alcântara, reitor da Universidade Castelo Branco.

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